Melanoma metastático: o que é, sintomas e tratamento

O melanoma metastático é um tipo de câncer de pele um pouco mais agressivo. Por essa razão, algumas pessoas ficam com alguns receios quanto a essa doença.

Afinal de contas, como já é de se esperar em um país de muito calor e sol, acaba que o câncer de pele se torna um tanto comum no Brasil.

Inclusive, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), estima-se que o câncer de pele representa 30% de todos os casos de câncer.

Agora, falando do melanoma tipo metastático, ele corresponde a uma parcela bem menor, de apenas 3% dos tumores malignos de pele.

Mas, ainda que seja o menos frequente, ele também é o mais perigoso. Afinal de contas, as chances de causar metástase, isto é, espalhar para outras partes do corpo, é muito maior.

A boa notícia fica pelo fato de que, se o paciente obter um diagnóstico precoce, as chances de cura são muito mais altas.

Em vista disso, é fundamental entender melhor sobre o melanoma tipo metastático para que seja possível ter um diagnóstico precoce. Tudo isso e muito mais iremos falar no decorrer deste artigo!

Melanoma metastático
Melanoma metastático

O que é melanoma metastático?

Em suma, o melanoma tipo metastático nada mais é do que o estágio mais grave desse tipo de câncer de pele.

Isso acontece porque a sua principal característica é o espalhamento para outros órgãos, como os ossos, fígado ou pulmão.

Dessa forma, acaba se tornando uma situação mais difícil de se resolver e tratar, o que pode comprometer a vida de uma pessoa.

Além disso, o melanoma tipo metastático também é conhecido como se fosse o estágio III ou estágio IV da doença.

Pessoas que estão com esse estágio da doença, é bem provável que procuraram por um médico tardiamente ou não iniciaram o tratamento em tempo hábil.

Por consequência, como não houve o devido controle das células cancerosas, elas acabam conseguindo acometer outros órgãos.

Quais locais é mais comum de o melanoma tipo metastático se disseminar?

A verdade é que o melanoma pode se espalhar para uma série de regiões corpóreas, algo capaz de deixar o problema um pouco mais grave.

Agora, em relação aos principais locais que o melanoma tipo metastático pode se disseminar, citamos os seguintes:

  • Cérebro;
  • Pulmão;
  • Fígado;
  • Ossos;
  • Abdome;
  • Pele (às vezes longe de onde se originou);
  • Linfonodos (às vezes longe do local original do tumor).

Isso quer dizer que, por mais que um paciente tenha melanoma no rosto, o tumor pode entrar na corrente sanguínea e se disseminar para outros órgãos.

Quais são os principais sintomas do melanoma tipo metastático?

Os pacientes com melanoma podem apresentar diferentes sintomas, haja vista que a doença afeta cada pessoa de maneira distinta.

Além disso, os sintomas desse câncer de pele variam de acordo com o local em que há metástase. Mas, no geral, os sintomas são os seguintes:

  • Dor nos ossos;
  • Perda de apetite;
  • Tontura;
  • Fadiga;
  • Aumento dos linfonodos;
  • Dificuldade para respirar;
  • Perda de peso sem nenhum motivo aparente.

Ademais, o paciente ainda pode tentar observar alguns sinais que são mais característicos do melanoma, como a presença de sinais na pele que tenham bordas irregulares.

No entanto, também é importante ficar atento em relação à evolução dos sinais na pele ao longo do tempo.

Por que o melanoma tipo metastático acontece?

As metástases podem surgir quando o paciente negligencia os devidos cuidados, além de não procurar um médico dentro do tempo oportuno.

Afinal de contas, quando não se tem o devido tratamento, as células cancerígenas ficam livres para se desenvolver.

Por consequência, ele se espalha para outras partes do corpo, como o trato gastrointestinal, pulmões, fígado, ossos etc.

Ademais, há outros fatores que ainda podem contribuir para o desenvolvimento do melanoma tipo metastático.

Além de alguns fatores genéticos, ter a pele mais clara e se expor, de forma constante, a radiação UVA e UVB, também aumentam os riscos de metástase.

Quais são os estágios do melanoma?

O câncer melanoma por si só já é mais perigoso, haja vista que se trata de um tumor maligno, diferente do carcinoma basocelular.

Mas, mesmo após ter o diagnóstico do melanoma, o próximo passo é determinar a extensão do câncer, a fim de saber qual é a melhor forma de tratar.

Todo esse processo de tentar descobrir se o câncer se espalhou se chama “estadiamento”. Nessa etapa, deve-se fazer uma série de testes, a fim de determinar o estágio da doença.

É possível encontrar o melanoma nos estágios: 0, I, II, III ou IV. Obviamente, quanto menor o número, menos desenvolvido o câncer está.

Por consequência, as chances de cura são maiores. Porém, a recíproca é verdadeira. Ou seja, quanto maior o estágio, maior a letalidade.

Entre os estágios 0 e I, trata-se de um melanoma pequeno, o qual possui uma taxa de tratamento mais bem-sucedida.

Em contrapartida, os estágios III e IV é quando a doença já está na fase metastática e que a extensão do problema é maior.

Inclusive, nos casos mais graves, o médico se vê obrigado a remover uma porção de pele maior, o que pode gerar desfiguração.

É por essa razão que, na maior parte das vezes, deve-se ter o apoio de um cirurgião plástico, para os tratamentos faciais que possam vir a ser necessários.

Como saber o estágio do melanoma tipo metastático?

Para que seja possível identificar o estágio do melanoma, o médico deve fazer uma análise mais minuciosa.

Dessa forma, ele consegue colher as devidas informações e identificar o estágio do melanoma. Agora, em relação aos fatores que ele deve considerar, citamos:

  • Estado clínico do paciente, de acordo com os sintomas ele relata;
  • Região em que está localizado o câncer;
  • Quantidade dos tumores;
  • Extensão do tumor;
  • Nível sérico de DHL.

Em relação ao nível sérico de DHL, nada mais é do que enzima que se chama “desidrogenase láctica”. Quando o indivíduo apresenta altos níveis, indica que o tumor já se espalhou para órgãos internos.

Como é o tratamento do melanoma tipo metastático por estágio?

Uma coisa que você precisa saber sobre o tratamento do melanoma tipo metastático é que ele pode variar de acordo com o estágio em que ele está.

Quando o tumor apresenta metástase, isso quer dizer que ele está entre o estágio III ou IV. Nesses casos, o médico deve avaliar o paciente, a fim de definir o melhor tratamento.

Na grande maioria dos casos, o médico costuma optar pela cirurgia micrográfica de Mohs, uma vez que garante maior segurança e precisão.

No entanto, deve-se ter em mente que o melanoma tipo metastático não tem cura. Por isso, o tratamento visa oferecer sobrevida e melhores condições de vida, com alívio dos sintomas.

Então, a partir do momento em que se diminui a taxa de replicação celular, acaba por retardar o espelhamento e progressão da doença.

Sendo assim, é feito uma avaliação completa no paciente, para que o médico possa indicar os melhores cuidados paliativos.

O médico pode indicar a terapia-alvo, por exemplo, cujo objetivo é de atuar direto no gene que está alterado.

Dessa forma, impede ou diminui a taxa de replicação dessas células, o que retarda ou evita que a doença progrida.

Entretanto, além da cirurgia, o médico também pode indicar radio e quimioterapia, para tentar eliminar as células do câncer que estão espalhadas.

Fora isso, por mais que a decisão para o tratamento do melanoma tipo metastático se baseie no estágio da doença, há outras coisas a se considera também, tais como:

  • Estado de saúde geral do paciente;
  • Local do tumor;
  • Extensão;
  • Sintomas do paciente etc.

Mas, falando dos tratamentos de acordo com o estágio, citamos os seguintes:

Estágio III

Nesse estágio, é quando o tumor já chegou a atingir os linfonodos. A cirurgia é o tratamento mais adequado, mas requer também a dissecção dos linfonodos.

Mas, após a cirurgia, o médico ainda deve indicar outras formas de aplacar o câncer, que pode ser através da terapia adjuvante.

Esse tipo de terapia conta com um inibidor do ponto de controle imunológico ou mesmo com medicamentos de terapia alvo para tumores com alterações.

Tudo isso visa evitar com que o câncer recidive. Fora isso, o médico ainda pode indicar outros medicamentos ou vacinas, as quais também têm o intuito de reduzir as chances de recidiva.

Uma outra boa alternativa é a radioterapia nos locais em que se retirou os linfonodos. Além disso, caso haja vários tumores, deve-se remover todos eles.

Outras alternativas de tratamento incluem injeção de T-VEC, BCG ou interleucina-2 direto na lesão. A aplicação de imiquimod também pode ser muito útil.

Agora, se porventura o melanoma tipo metastático estiver localizado na perna ou nos braços, talvez a melhor opção de tratamento seja a perfusão isolada do ombro.

Outros possíveis tratamentos incluem a imunoterapia, terapia-alvo ou quimioterapia. Caso o paciente não se beneficie de nenhum desses, deve-se considerar uma participação em um estudo clínico.

Estágio IV

Em relação aos melanomas de estágio IV, eles são um pouco mais difíceis de terem cura, haja vista que já estão disseminados em linfonodos mais distantes ou até em outras regiões do corpo.

É possível remover essas metástases através de cirurgia, mas ainda assim é necessário outros tratamentos, como a radioterapia.

No que diz respeito às metástases em outros órgãos, a remoção apenas irá ocorrer a depender da localização, quantidade e probabilidade de causar sintomas.

Agora, se o paciente tiver alguma metástase que causa sintomas, mas a remoção não é possível, o ideal é manter um tratamento com quimioterapia, radioterapia, terapia-alvo ou imunoterapia.

Os medicamentos imunoterápicos, chamados de “inibidores do controle imunológico”, são os que os médicos mais dão prioridade, desde que as células tumorais não tenham alteração no gene BRAF.

O ipilimumab, por exemplo, é um inibidor de ponto de verificação imunológico, mas que não costuma ser muito útil sozinho.

Por isso, o ideal é usá-lo com o nivolumabe ou pembrolizumabe. Mas, como todos esses medicamentos podem causar efeitos colaterais, o ideal é que todos tenham acompanhamento médico de perto.

Câncer melanoma estágio IV com alteração no gene BRAF

Ainda existe a possibilidade de o paciente desenvolver câncer melanoma com alteração no gene BRAF. Nesse caso, o tratamento deve ser diferente.

Além de terapias-alvo, na grande maioria das vezes é preciso fazer a combinação com algum inibidor BRAF e um inibidor MEK.

Outras alternativas são os inibidores de controle imunológico como o nivolumabe ou o pembrolizumabe.

No entanto, ainda não se sabe se a terapia-alvo ou a imunoterapia é a melhor alternativa para o primeiro tratamento. Porém, há situações em que faz mais sentido usar um do outro.

Isso acontece porque as terapias-alvo oferecem maior probabilidade de reduzir o tamanho dos tumores. Sendo assim, dá-se preferência nesses casos.

Mas, em ambos os casos, caso um tipo de tratamento não esteja respondendo da forma com que se esperava, é preciso administrar o outro.

Em relação à imunoterapia com interleucina-2, ela é capaz de aumentar a sobrevida de alguns pacientes que estão com melanoma estágio IV.

Por mais que doses mais elevadas de IL-2 até possam ser mais eficazes, os riscos de efeitos colaterais mais severos são um problema.

Recidiva

Além de o melanoma ser capaz de afetar outras regiões do corpo, esse câncer de pele ainda tem riscos de recidivar.

O melanoma pode recidivar tanto na pele próxima ao tumor ou até na própria cicatriz da cirurgia, também.

Por isso, o tratamento de uma recidiva irá depender do estágio da doença no momento do diagnóstico.

Na grande maioria das vezes, o tratamento é bem semelhante a uma cirurgia que recomenda para o melanoma primário, ou seja, pode incluir a biópsia do linfonodo sentinela.

A depender da espessura e da localização do tumor, o médico ainda pode considerar outros tipos de tratamentos.

Agora, se a doença recidivar nos linfonodos que estão próximos ou sob a pele, caso seja possível, o ideal é remover.

Há outras alternativas de tratamento, como a perfusão isolada do membro, vacina T-VEC, vacina BCG, interleucina-2 aplicação de imiquimod ou radioterapia.

Às vezes, o médico também pode indicar outros tratamentos sistêmicos, como a terapia-alvo, quimioterapia ou imunoterapia.

Em quais situações o melanoma pode recidivar?

Nos casos em que não se removeu os linfonodos adjacentes, o melanoma pode sim voltar a aparecer neles.

Para tratar esse problema, é preciso fazer a dissecção, seguida de outros tratamentos adjuvantes, tais como a terapia-alvo ou imunoterapia.

Sobre os tumores que recidivam no cérebro, eles são um pouco mais difíceis de tratar, já os tumores individuais podem ser removidos de forma cirúrgica.

Além disso, bem como em outros estágios da doença, os pacientes que possuem melanoma avançado podem considerar a participação em estudos clínicos.

Melanoma tipo metastático precisa de quimioterapia?

A quimioterapia pode sim ajudar pacientes que possuem melanoma estágio IV. No entanto, na maior parte das vezes, o tratamento é conjunto com a temozolomida e a dacarbazina.

Todos esses medicamentos podem ser administrados sozinhos ou juntos com outras drogas. E, ainda que a quimioterapia possa diminuir o tamanho do tumor, muitas vezes o efeito é temporário.

É por essa razão que se deve considerar todos os possíveis efeitos positivos, negativos e colaterais de qualquer tratamento.

Então, nunca deixe de discutir com o seu médico sobre todas as opções terapêuticas. Como o melanoma estágio IV é mais difícil de tratar, considere estudos clínicos.

Referências

Epidemiologia e análise de sobrevida de pacientes com melanoma metastático de sítio primário conhecido e desconhecido. Disponível em:
http://rmmg.org/artigo/detalhes/1423

Melanoma. Disponível em:
https://www.sboc.org.br/images/diretrizes/diretrizes_pdfs/Melanoma.pdf

Melanoma Stages. Disponível em:
https://www.skincancer.org/skin-cancer-information/melanoma/the-stages-of-melanoma/

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Blog Especialista em câncer de pele Dr. Bones Jr.
Dr. Bones Junior

O Dr. Bones Jr. é graduado em Medicina pela Universidade Federal de Goiás e especializado em Dermatologia há mais de oito anos. Ele oferece atendimento e tratamentos humanizados, com técnicas de última geração, incluindo a especialização em Mohs, para proporcionar uma consulta dermatológica completa e eficaz.

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