Melanoma ocular: o que é e como tratar?

Ao falar de câncer melanoma, a grande maioria das pessoas associa a patologia às áreas mais expostas ao sol. Afinal de contas, a incidência solar é um dos grandes fatores de risco.

Inclusive, é muito comum esse câncer se desenvolver na pele e nas mucosas, mas ele também é capaz de aparecer nos olhos.

O melanoma ocular é um tipo de câncer mais raro, o qual é capaz de se formar tanto na superfície do nosso olho quanto na pálpebra.

Ele é bem semelhante aos que se desenvolvem na pele, mas ele ainda pode se desenvolver dentro do olho.

Isso acontece porque as células tumorais podem crescer na úvea (parte branca do olho), haja vista que possui melanócitos.

Por mais que seja uma condição rara, essa patologia costuma se desenvolver em pessoas adultas, a qual pode causar graves problemas de visão, além de poder se espalhar para outros órgãos.

Melanoma no olho

O melanoma nos olhos é um tipo de tumor que pode afetar algumas partes do olho, por mais que seja mais comum de acometer a coroide.

A coroide é uma camada que fica entre a esclera e a retina, o tecido responsável por transformar a luz em estímulo nervoso, enviando para o cérebro.

Mas, como não é possível ver a coroide a olho nu, é vital fazer o exame de fundo de olho para obter o diagnóstico preciso e correto.

Além disso, por mais que na maior parte dos casos seja primário, a sua gravidade pode variar de acordo com o tamanho e localização do tumor.

A depender do caso, esse tipo de tumor pode afetar todo o campo visual, ocasionando em problemas ainda mais graves.

Melanoma ocular
Melanoma ocular

Tipos de melanoma ocular

Outra coisa que você precisa saber a esse respeito é que há diferentes tipos de melanoma nos olhos, haja vista que a patologia pode atingir diferentes áreas do globo ocular.

Inclusive, a classificação desse tipo de câncer de pele se baseia no local em que se iniciou as células cancerígenas.

Então, dentro os tipos mais comuns, podemos citar os seguintes:

1. Melanoma da coroide

Os melanomas de coroide são aqueles que estão localizados entre a esclera e a retina. Inclusive, a coroide é um local muito vascularizado, o qual é responsável por nutrir todo o globo ocular.

Devido ao fato de ser uma das camadas mais internas da úvea, acaba que esse tipo de melanoma nos olhos pode passar despercebido por um longo tempo.

Além disso, o melanoma da coroide é o mais comum nos adultos, o qual também costuma ser a principal área de atenção em casos desse tipo.

Mesmo porque o que se espera é que esse câncer se desenvolva nessa região, mas que se espalhe para as estruturas vizinhas.

2. Melanoma do corpo ciliar 

No caso do corpo ciliar, ele nada mais é que uma estrutura intermediária, que fica entre a íris e a coroide. A sua função é de produzir o humor aquoso, que é um processo de acomodação visual e manutenção do cristalino.

Na grande maioria das vezes, os pacientes que possuem melanoma nos olhos do corpo ciliar, costumam ter embaçamento da visão.

E isso acontece porque o crescimento do tumor interfere diretamente em todo o processo natural de acomodação visual, o qual empurra a lente do olho para fora do lugar.

3. Melanoma da íris

A íris nada mais é que a parte mais externa da úvea, onde sua função é de controlar os níveis de luz, de acordo com as suas condições ambientais.

A íris é a parte colorida dos olhos, a qual pode ser de diferentes tons, a depender do código genético de cada pessoa.

Diferente dos outros tipos de melanoma nos olhos, o que acomete a íris é muito mais perceptível, o que torna o diagnóstico precoce mais provável.

Mesmo porque esse câncer se apresenta através de formação e aumento de manchas escuras e incomuns na superfície colorida.

4. Melanoma da conjuntiva 

Esse tipo de câncer melanoma nos olhos é capaz de abranger toda a cobertura fina e transparente que envolve a esclera.

Nesse caso, a conjuntiva é a responsável por proteger o globo ocular de todo e qualquer tipo de corpo estranho.

Contudo, o melanoma nos olhos da conjuntiva costuma ser um dos mais rasos, mas também é um dos mais agressivos.

E isso acontece devido ao fato de ter grandes chances de metástase, onde pode se espalhar para o pulmão, fígado ou cérebro.

5. Melanoma palpebral 

Como o próprio nome indica, nada mais é do que o tipo de câncer que afeta a pálpebra, a camada mais externa de proteção dos olhos.

Bem como acontece na íris, o melanoma palpebral tem uma estrutura mais externa, visível a olho nu. Por consequência, os sinais da patologia são mais notáveis, o que também facilita o diagnóstico precoce.

No entanto, também é interessante destacar que nem todos os tumores que surgem nas pálpebras são malignos.

Em vista disso, é vital procurar por um oftalmologista assim que notar qualquer tipo de alteração incomum nas pálpebras.

Além disso, esse é um tipo de câncer que tem uma certa ligação com as chances de metástase. Então, é vital que o seu tratamento se inicie o quanto antes.

Quais são os fatores de risco do melanoma ocular?

Ao falar de câncer melanoma, logo as pessoas tendem a acreditar que o principal fator de risco é a incidência solar.

No entanto, os melanomas oculares podem surgir por conta de outros fatores de risco, tais como:

  • Histórico familiar: pessoas que possuem histórico familiar de indivíduos com qualquer tipo de melanoma, podem herdar o gene com mutação;
  • Condições da pele: há pessoas que possuem algum distúrbio na pele, como a síndrome do nevo displásico. Isso também pode contribuir para aumentar os riscos desse tipo de câncer;
  • Pele clara: pessoas que possuem a pele fototipo I ou II, que se queimam facilmente, possuem mais chances de desenvolver o melanoma nos olhos;
  • Olhos claros: indivíduos de olhos verdes ou azuis também tem mais chances de desenvolver esse tumor do que pessoas de olhos escuros;
  • Idade: os riscos se tornam maiores quanto de mais idade a pessoa for;
  • Crescimento de pinta nos olhos: há pessoas que nascem com pinta nos olhos. Nesse caso, possuem mais chances de ter melanoma nos olhos.

Quais são os principais sintomas do melanoma ocular?

Na verdade, os sintomas podem variar de acordo com o tipo de tumor que o indivíduo possui, haja vista que depende da localização e extensão da lesão.

Contudo, não é nem um pouco incomum que o melanoma nos olhos seja assintomático e, portanto, é vital fazer exames de rotina.

Mas, se por acaso o tumor for perto da mácula, isto é, no centro da visão, é comum que o paciente fique com a visão embaçada.

Em contrapartida, em casos de ser um melanoma nos olhos periférico, o tumor pode se manter assintomático até crescer e começar a apresentar alguns sintomas.

Como é feito o diagnóstico do melanoma ocular?

Na maioria das vezes, o paciente descobre esse tipo de câncer durante um exame oftalmológico de rotina, haja vista que os tumores são mais escuros do que a área ao redor ou vazam líquido.

Caso isso aconteça, o médico deve solicitar alguns exames complementares para que possa confirmar o diagnóstico.

O grande problema nesse caso é que os sintomas do melanoma nos olhos são os mesmos causados por várias outras condições.

Isso pode retardar o diagnóstico, fazendo com que o câncer possa se desenvolver cada vez mais. Por consequência, pode obrigar o paciente a procurar por tratamentos faciais, haja vista que o tamanho da lesão aumenta e, assim, afeta toda uma questão estética.

No entanto, é possível diagnosticar o câncer com certa precisão apenas pelo exame oftalmológico e outros exames de imagem.

Mas, se por acaso esse exame não fornecer uma resposta definitiva, o médico pode remover um fragmento do tecido, a fim de examiná-lo em um microscópio, através da biópsia.

Muitas das vezes a biópsia se torna útil para averiguar possíveis mutações genéticas, as quais podem prever resultados e auxiliar na escolha correta do medicamento mais adequado para o tipo de câncer.

Além disso, o melanoma nos olhos pode se espalhar por vários anos até que haja o diagnóstico. Sendo assim, a biópsia do local é muito útil.

No caso de o médico precisar fazer a biópsia, ele pode ter que administrar uma sedação, anestesia local ou geral.

Agora, no que diz respeito aos principais exames de imagem que ajudam no diagnóstico do melanoma nos olhos, citamos os seguintes:

Ultrassom

Trata-se de um exame bem comum, o qual ajuda no diagnóstico mais preciso dos melanomas oculares.

Nesse caso, deve-se colocar um pequeno instrumento, em forma de varinha, contra a pálpebra ou globo ocular.

Esse instrumento envia algumas ondas sonoras por meio do olho, e capta os ecos conforme eles ricocheteiam nos órgãos.

Em seguida, deve-se converter esses ecos em imagem, na tela do computador. Por meio desse teste, o médico consegue confirmar se há melanoma no olho, na grande maioria dos casos.

Tomografia de coerência óptica (OCT)

É bem semelhante ao ultrassom, mas esse exame se utiliza de sondas de luz, ao invés de ondas de som para criar as imagens detalhadas da parte posterior do olho.

Tomografia computadorizada (TC)

Trata-se de uma varredura que, às vezes, é muito útil para checar se o melanoma se espalhou para estruturas mais próximas.

Além disso, esse procedimento é excelente para detectar se houve disseminação do câncer para órgãos mais distantes, como no fígado.

Angiografia de fluoresceína

Nesse caso, o paciente deve receber um corante especial, o qual deve ser injetado em uma veia que, pela corrente sanguínea, irá chegar ao olho.

Em seguida, deve-se tirar algumas fotos do olho, utilizando uma luz especial que irá tornar o corante brilhante.

Isso vai permitir com que o médico consiga ver os vasos sanguíneos dentro do olho. Ainda que o melanoma nos olhos não tenha uma aparência especial com esse teste, outros problemas oculares sim.

Então, o médico pode usar esse método para ter a certeza de que um determinado problema não é um melanoma.

Imagem de ressonância magnética

Trata-se de um procedimento muito útil para que seja possível observar não só o tumor ocular, mas também se há disseminação fora da órbita ocular.

Por meio da ressonância magnética, é possível obter imagens mais detalhadas a respeito dos tecidos moles do corpo. Nesse caso, utiliza-se ondas de rádio e ímãs fortes, em vez de raio-x.

Imagem fotográfica

Nesse caso, é quando o oftalmologista tira foto de um nevus, que é o nome técnico para a pinta ou sinal no olho, em cada visita.

O intuito, nesse caso, é averiguar se há alguma alteração nessas áreas. Nevus que são maiores e mais grossos apresentam maiores chances de se transformarem em câncer.

Como identificar o melanoma ocular?

O melanoma nos olhos pode causar alguns sintomas típicos caso o tumor se apresente na parte mais central do olho, a mácula. Nesse caso, a vista pode começar a ficar embaçada.

No entanto, caso se concentre na periferia, o melanoma nos olhos irá começar a crescer e, assim, o próprio paciente irá notar algo errado.

Agora, se por acaso o melanoma já estiver em uma fase mais crítica, é possível notar alguns dos seguintes sintomas:

  • Manchas em seu campo de visão;
  • Mudança no movimento dos olhos;
  • Alteração da pupila;
  • Problemas para enxergar;
  • Crescimento de um ponto escuro na íris;
  • Perda parcial do campo visual etc.

Mas, como nem sempre esses sintomas estão presentes, o ideal é fazer exames de rotina, para que o médico possa fazer exame de fundo de olho.

Por meio dessas consultas, o médico é capaz de identificar possíveis alterações, as quais podem indicar melanoma nos olhos.

Como é feito o tratamento do melanoma ocular?

Melanoma ocular tem cura? se fosse outro tipo de melanoma, a cirurgia micrográfica de Mohs seria a mais indicada, haja vista que se trata de um procedimento super seguro e preciso.

No entanto, o tratamento do melanoma nos olhos se baseia no tamanho, localização e estadiamento da doença no que tange às estruturas à distância. Fora isso, o médico ainda deve cogitar a possibilidade de preservar a visão.

Então, deve-se avaliar tumores pequenos e médios, bem como outras características, a fim de definir o melhor tratamento.

Para facilitar, abaixo iremos falar sobre os tratamentos mais adequados de acordo com o tipo de melanoma nos olhos.

Tratamento para melanoma da coroide

Para tratar esse tumor, é feita uma análise do seu tamanho e da função da região do olho que foi acometida.

Isso quer dizer que, quanto menor for o tumor, menor será probabilidade de se fazer uma cirurgia, ao menos que o olho esteja com danos por conta do tumor ou já se tenha perdido a visão.

No entanto, há várias alternativas de tratamento para melanoma da coroide, tais como: espera expectante, radioterapia, laserterapia e cirurgia.

Apenas o oftalmologista, após uma análise, deve indicar de forma individual qual é o melhor protocolo a se adotar.

Mas, em relação à radioterapia, ela oferece maiores chances de preservar a visão, por mais que ela não necessariamente exclua a necessidade de cirurgia.

Tratamento para melanoma da íris

Esse tipo de tumor costuma ser pequeno e com um desenvolvimento mais lento. Então, para poder definir o melhor tratamento, deve-se realizar uma série de imagens especiais, a fim de que seja possível monitorar o tumor.

Em relação ao tratamento, pode ser tanto a cirurgia quanto a radioterapia. No primeiro caso, a quantidade de tecido a se remover irá depender da extensão do tumor.

No que diz respeito aos tipos de cirurgia para melanomas da íris iniciais, citamos os seguintes:

  • Enucleação: remoção do globo ocular;
  • Iridociclectomia: remoção de uma porção da íris e do corpo ciliar;
  • Iris trabeculectomia: remoção de parte da íris, bem como uma porção da porção externa do globo ocular;
  • Iridectomia: remoção de parte da íris.

Tratamento para melanoma do corpo ciliar

Esse é um tipo de tumor mais raro que, se for pequeno, pode ser tratado por meio de intervenções cirúrgicas ou radioterapia.

Agora, se for um caso mais avançado ou mesmo se houver lesões oculares mais graves, a remoção do globo ocular (enucleação), pode se tornar necessária.

Tratamento para melanoma da conjuntiva

Esse é um tipo de melanoma nos olhos que se torna mais propenso a se desenvolver nas estruturas locais, mas se disseminam para outros órgãos, tais como o pulmão e o fígado.

Em relação ao seu tratamento, ele se foca na remoção cirúrgica do tumor e em tratamentos adjuvantes.

Tratamento para melanomas avançados e recidivas

A grande maioria dos melanomas uveais está contida no olho na hora em que se faz o diagnóstico inicial. No entanto, as chances de recidiva são bem altas.

Estima-se que metade dos pacientes podem ter esse mesmo problema depois de um certo tempo após o tratamento.

No caso de tumores que recidivam dentro do olho, na maior parte das vezes o tratamento mais adequado é a cirurgia de remoção do globo ocular.

Agora, se a recidiva for fora do olho, o tratamento pode incluir:

  • Ablação por aquecimento ou congelamento;
  • Cirurgia.
  • Radioterapia;
  • Injeção de medicamentos etc.

Quando a recidiva é fora do olho, na grande maioria das vezes é no fígado, ossos ou pulmões. Por isso, o médico ainda pode aplicar algumas substâncias nesses órgãos para destruir as células tumorais.

Como prevenir o melanoma ocular?

Devido ao fato de as causas do câncer no olho ainda serem desconhecidas, fica um pouco difícil saber a melhor forma de prevenir.

No entanto, há alguns cuidados que irão proteger a sua visão e, portanto, diminuir os riscos de lesão ocular.

Por isso, sempre use óculos escuros e chapéus, a fim de limitar a exposição dos olhos aos raios ultravioletas.

Mas, acima de tudo, a melhor forma de prevenir é incluir na sua rotina a visita ao oftalmologista, para fazer exames de rotina.

Referências

Treating Eye Melanoma by Location and Size. Disponível em:
https://www.cancer.org/cancer/eye-cancer/treating/uveal-melanoma.html

Eye melanoma. Disponível em:
https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/eye-melanoma/symptoms-causes/syc-20372371

Melanoma de corpo ciliar e coróide: relato de caso. Disponível em:
https://www.scielo.br/j/abo/a/dT5cF3HC4wBqYBV5jmfcVxp/?lang=pt

Blog Especialista em câncer de pele Dr. Bones Jr.
Dr. Bones Junior

O Dr. Bones Jr. é graduado em Medicina pela Universidade Federal de Goiás e especializado em Dermatologia há mais de oito anos. Ele oferece atendimento e tratamentos humanizados, com técnicas de última geração, incluindo a especialização em Mohs, para proporcionar uma consulta dermatológica completa e eficaz.

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